Marketing, Corrida e Marcas: O Que Aprendi Sonhando com um Patrocínio da Gatorade

CBBFCA

Quando comecei a me destacar na corrida — por volta de 2012 —, tudo que eu mais queria era ter o apoio da Gatorade. Na minha cabeça de corredor amador, eu acreditava que correria muito melhor se pudesse tomar Gatorade durante os treinos. Nada me fazia pensar o contrário, principalmente por causa do marketing poderoso da marca.

Paralelamente, eu vivia um momento de crescimento profissional, trabalhando com marketing digital no grupo Diários Associados (Rádio Tupi, Nativa, Jornal do Commercio…). Ali, comecei a entender melhor a lógica por trás do mercado publicitário. Por exemplo: por que a voz dos comerciais do Supermercados Guanabara era do radialista Antônio Carlos, e como a Rádio Tupi faturava tanto anunciando empresas que falavam diretamente com seu público.

O Guanabara sempre teve presença forte nos bairros populares e, especialmente, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A Rádio Tupi, por sua vez, é um verdadeiro canhão de audiência nas zonas Norte e Oeste. Ou seja, fazia sentido que o supermercado tivesse como “influenciador” alguém popular, capaz de dialogar com as classes B, C e D. Foi aí que percebi por que meu sonho de um dia ser patrocinado pela Gatorade era tão distante.

Naquela época, o posicionamento da marca era totalmente voltado para o futebol. Seus influenciadores eram Neymar, Coutinho, Ronaldinho Gaúcho… sempre atletas de ponta, constantemente convocados para a Seleção Brasileira. A Gatorade não olhava para microinfluenciadores e, na verdade, nem precisava. Era (e ainda é) uma gigante: a “Coca-Cola dos isotônicos”, a “Gillette das lâminas”, o “iPhone dos celulares”.

“Mas Rafa, esse ano a Gatorade patrocinou a Maratona do Rio.” Sim, é verdade. A corrida cresceu de forma impressionante entre 2012 e 2025, e hoje é estratégico estar presente na principal maratona do Brasil. Quanto maior o evento, maior a vitrine. E o crescimento do esporte trouxe também mais concorrência dentro do segmento.

Ainda é comum o corredor terminar um treino, passar em uma padaria e escolher um Gatorade ou Powerade. Mas hoje temos marcas como Liquidz, Jungle, Sorox e outras. Todas com comunicação voltada diretamente para corrida, ciclismo e natação. São empresas que entendem a realidade do atleta amador, oferecem versões em stick para facilitar o consumo e, principalmente, investem em apoiar microinfluenciadores.

Conclusão

A Gatorade segue gigante e continua sendo uma referência global. Mas o jogo mudou: enquanto ela mantém seu foco em grandes eventos e nomes de peso, marcas como a Jungle e Liquidz entenderam que estar no dia a dia do corredor amador é um diferencial. O patrocínio que parecia impossível há alguns anos, hoje se tornou realidade para muitos criadores de conteúdo do nicho. No fim das contas, o que está em jogo não é só o produto, mas a forma como cada marca escolhe se conectar com quem está correndo lá fora, todos os dias.

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