O trail running vem crescendo no mundo todo, mas no Brasil ainda é visto como uma modalidade de nicho, restrita a poucos corredores dispostos a sair do asfalto. Enquanto as corridas de rua movimentam multidões nas grandes capitais, com provas bem estruturadas e apoio de grandes marcas, o trail segue tentando conquistar espaço — entre custos altos, pouca visibilidade e desafios logísticos.
A pergunta que fica é: por que a corrida em trilha ainda engatinha no Brasil e o que precisa mudar para que ela decole de vez?
O custo da distância
Um dos principais obstáculos é geográfico. Diferente das corridas de rua, facilmente realizadas nos grandes centros urbanos, a maioria das provas de trail acontece em regiões rurais, serranas e praianas.
Para quem mora em cidades como São Paulo ou Belo Horizonte, por exemplo, é preciso viajar para lugares como Campos do Jordão ou a Serra do Cipó para encontrar uma vastidão de trilhas e percursos de qualidade. Isso significa gastar com transporte, hospedagem e alimentação — além da própria inscrição, que geralmente já é mais cara do que provas de rua.
O resultado? O trail acaba sendo restrito a quem pode bancar toda essa experiência.

A exceção chamada Rio de Janeiro
O Rio é um verdadeiro luxo dentro do cenário brasileiro. A cidade tem na Floresta da Tijuca um dos maiores centros urbanos de treino em trilha do mundo. É possível sair de casa, subir uma montanha e, em poucas horas, estar de volta ao asfalto ou até na praia.
Essa combinação única de terrenos, montanha, floresta e areia oferece condições ideais para o desenvolvimento do esporte. Mesmo assim, o trail carioca ainda é pouco explorado em relação ao seu potencial, especialmente quando comparado a cidades no exterior que vivem em função da modalidade.
Falta de estrutura e visibilidade
Outro ponto que pesa é a falta de grandes patrocinadores e da presença massiva de marcas que dominam o mercado da corrida de rua. Enquanto provas urbanas têm ativações, kits recheados e forte cobertura da mídia, o trail muitas vezes sobrevive com recursos limitados, divulgação orgânica e uma logística precária.
A experiência pode ser inesquecível para quem participa, mas dificilmente atinge o público de massa, o que freia o crescimento.
O que precisa mudar
Para o trail running crescer de fato no Brasil, alguns passos são fundamentais:
- Maior incentivo das marcas: apoiar eventos menores, investir em atletas e criar campanhas de visibilidade.
- Provas mais acessíveis
- Educação do público: mostrar que trail não é só para atletas de elite, mas para qualquer corredor disposto a sair da zona de conforto.
Explorar os recursos naturais: o Brasil é riquíssimo em geografia e biodiversidade. Cabe aos organizadores, marcas e comunidades locais transformarem isso em oportunidades.
Conclusão
O trail running tem tudo para ser gigante no Brasil: diversidade de terrenos, belezas naturais únicas e uma comunidade apaixonada. O que falta é quebrar a barreira do custo, da distância e da falta de visibilidade.
Seja no Pico do Jaraguá, na Serra do Cipó, em Campos do Jordão ou nas trilhas da Tijuca, o recado é o mesmo: a corrida de montanha precisa sair da margem e ocupar o espaço que merece.
Mais do que um esporte, o trail é uma forma de viver a corrida em sua essência — em contato direto com a natureza, com o corpo e com o que nos move.
Obs: Por mim a maior prova do Brasil seria na Chapada dos Veadeiros, que lugar incrível e cheio de vida para explorar esportivamente. Dá para criar um circuito de provas, 4 dias correndo para saber o campeão final, cada dia seria uma prova em um lugar diferente. O campeão seria aquele que somasse mais pontos nos 4 dias. Sonhar custa nada…
