Do octógono ao asfalto: o que Poatan aprendeu correndo uma maratona sem preparo

O que aprendemos ao correr uma maratona sem preparação?
O quão difícil pode ser correr uma maratona sem preparação?
E, principalmente, o que nós realmente buscamos quando decidimos encarar 42,195 km?

Essas são perguntas que sempre me vêm à mente quando alguém me diz que vai correr, ou sonha em correr sua primeira maratona.
E, antes de parabenizar, costumo fazer outras perguntas: o que motiva essa pessoa? O que ela espera encontrar depois da linha de chegada?

Treinar para uma maratona envolve muito mais do que planilhas e quilômetros acumulados. É um processo longo, exigente e que testa não apenas o corpo, mas também a mente e a disciplina. Conciliar rotina, trabalho, descanso e alimentação para construir o “ciclo perfeito” é um desafio. E mesmo quando tudo dá certo, não há garantia de que a prova será perfeita.

Correr uma maratona é um exercício de amadurecimento.
Não é sobre ter o corpo pronto, é sobre moldar uma nova versão de si mesmo.
É sobre resistência, autoconhecimento e a coragem de continuar mesmo quando tudo dói.

A maratona muda as pessoas.
Não é uma possibilidade, é uma certeza.
Se você atravessa o ciclo de treinamento e cruza a linha final, você se transforma. É como atualizar o sistema operacional: por fora, o mesmo corpo; por dentro, um novo software.
Você passa de “menino para homem”, de inseguro para mais confiante. Aprende, na prática, a verdade por trás da frase:

“O sofrimento é passageiro, desistir é para sempre.” — Lance Armstrong

E talvez seja isso que buscamos quando decidimos correr uma maratona: não apenas o fim, mas o processo. A dor que ensina, o limite que revela e a superação que marca.

Foi justamente essa transformação que me fez lembrar do Alex Pereira, o Poatan, durante sua preparação para o UFC 320, quando enfrentou e derrotou Magomed Ankalaev.
No meio do camp de treinos, Poatan decidiu correr no deserto de Las Vegas , e contou sobre quando correu uma maratona sem preparação específica.

O treinador Plínio Cruz resume bem o espírito da decisão:

“Um artista marcial tem o combate como parte do dia a dia, mas também existe a filosofia, a dedicação, o lado mental e espiritual. A luta é só um dos aspectos.”

Glover Teixeira, outro treinador, completou:

“Esse vai ser o treino para Poatan mostrar para o mundo o quão forte ele está.”

Assistir ao Poatan cruzando o deserto de Las Vegas e falando sobre o que aprendeu com essa experiência é inspirador.
Ele não buscava recorde, buscava autoconhecimento — exatamente o que uma maratona, com ou sem preparação, costuma revelar.

Confira abaixo o vídeo completo de Poatan e tire suas próprias conclusões sobre o que é, de fato, correr uma maratona sem preparo:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *